sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Entender ou Não Entender II
Logo descobri que era Ganesh, filho de Shiva, uma das principais deidades hinduístas. Deste dia em diante, por muitas vezes pensei que deveria saber a fundo qual o significado do pitoresco ícone indiano que carregava em meu peito, para, entre outras coisas, não passar aperto quando questionado. Porém, acabei perdendo a correntinha em alguma gaveta, juntamente com seus significados.
Quando Maca e eu decidimos viajar, fomos obrigados a arrumar a casa e muitos objetos havia muito perdidos foram reencontrados e novos destinos lhes foram dados. Entre estes objetos, encontrei a tal correntinha e, após a devida limpeza, ela voltou a me acompanhar para esta longa jornada.
À medida em que se aproxima nossa visita à Índia, a tal questão do significado de Ganesh voltou à tona e passou a me perturbar insistentemente. Que divindade é esta? O que as pessoas devem pensar quando vêem este símbolo pendurado em meu peito? O que devo dizer às pessoas a respeito?
Em meio a estas questões que vinham me assombrando ao longo das últimas semanas, percebi finalmente que, além de todos os significados que ele carrega e seguirá carregando misticamente através dos séculos, há, para mim, um significado muito mais importante e fundamental: era o pingente de papai, e isso basta.
Entender ou Não Entender, Eis a Questão.
Neste tempo adolescente, distinguem-se aqueles que são obstinados - querem entrar em uma boa universidade -, aqueles que são orgulhosos - sentem que podem entrar em uma boa universidade - e aqueles que são obrigados - cobrados, em particular pela própria família, a entrar em uma dita "boa" universidade.
Em meio a esta tensão adolescente, dividido entre o obstinado, o orgulhoso e o obrigado - creio que pendendo um pouco para o orgulhoso -, submergi nos estudos com o propósito de entrar na Politécnica da USP. Neste tempo, obrigação para mim era estudar, obstinação era resolver os desafios de matemática do Ponce - professor de matemática do Anglo - e orgulho era decifrar teoremas e fórmulas que os outros decoravam. Assim, reformular aritmeticamente o teorema de Pitágoras ou deduzir a fórmula de Báskara eram, nestes tempos, atividades de lazer.
Tirando o lado "nerd" da frase acima, uma pequena mágica existe por trás deste chamado "lazer" - ou seja, entender, decifrar, deduzir. É uma arte, um exercício de criatividade e lógica, ao passo que decorar, memorizar uma fórmula, é um simples exercício mecânico, que nunca me pareceu interessante.
Ao fim da faculdade - depois do terceiro câmbio de carreira - criei, com meu primo-amigo-sócio Guto uma empresa - não coincidentemente chamada Primo Comunicação. No entanto, nenhuma das minhas três faculdades, como tampouco a arquitetura incompleta de meu sócio forneciam subsídios para o empreendedor, administrador de empresas, e fomos evoluindo na base da "cabeçada". Pode não ser produtivo, pode não ser rápido ou financeiramente rentável, mas ao fazer as coisas de "cabeçada", senti como quando deduzia os teoremas do cursinho: sua-se muito mais, mas no fim a coisa toda faz muito mais sentido e a gente aprende para sempre. Aprender pela experiência é um aprendizado notável. Assim, de cabeçada, sem colar, sem que o colega ao lado sopre a solução.
Quando viajamos, esta encruzilhada se nos faz presente a cada instante, em todos os lugares a serem visitados. Penetrando-se mundos mais originais e distintos de nossa origem e formação cultural, o universo sígnico é mais complexo e distante. É o caso de regiões e países com religião, idioma, costumes, roupas, alfabeto, arquitetura diferentes de nosso hábito. É o que mais me fascina no mundo árabe e na China, por exemplo - que ficarão para a próxima viagem.
A primeira vez que entramos a um templo hinduísta no Nepal, submergimos no riquíssimo universo simbólico desta religião e nos assolou a seguinte dúvida: ler a bíblia dos viajantes - Lonely Planet e afins - ou, em oposição frontal a este turismo de enciclopédia, deixar os estímulos - arquitetura, esculturas, cores, cheiros, sons, brisa, calor, vista da montanha - te confundirem inteiro para levar a imaginação a um qualquer lugar distante, não necessariamente preso aos paradigmas da história escrita. Quem sabe, no final das contas, se a passiva contemplação não pode levá-lo a deduzir, como num teorema, um universo simbólico de origem tão remota, não obstante cada vez mais presente em nosso cotidiano?
Não prego que é sempre necessário reinventar a roda ou aprender a mexer no celular sem ler o manual. O que é fundamental é não se esquecer da crítica - ou seja, por mais que a roda seja genial, muitas vezes não é a melhor solução para seu problema. Quem já ousou se perguntar por quê o quadrado da hipotenusa é a soma dos quadrados dos catetos sabe do que estou falando.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
More Famoso!!!
- Eeeeee, Marrrcelôô! - ouve-se, de um grupo de jovens locais, com sotaque franco-malagache acompanhado de gostosas risadas, a caminho da padaria.
- Bon jour, Marrrcelô! - diz um pouco mais timidamente um par de meninas nunca antes vistas, perto da praia.
- Ça va, Marrcelôô? - exclama um senhor acompanhado pela esposa e filhos - estes dançando energicamente e rindo timidamente -, enquanto jantamos no restaurante.
Esta era a rotina no pequeno povo de Mananjary, costa leste de Madagascar, ao longo de nossa curta estada. Motivo: concurso de rebolado (= meneo) do Jerry Marcoss - sim, Klauss, ele também tem dois "esses" no nome. Coisa de pop-star.
[maca]
Fuimos al pueblo costero de "Mananjary" para ver una fiesta típica que se hace en la ciudad cada siete años.La fiesta atrae a muchas personas de localidades vecinas y no es sólo folclore, también hay otros tipos de eventos que animan la ciudad. Este año, la gran atracción fue "Jerry Marcoss", el más famoso cantante pop de Madagascar. Jerry es un tipo carismático, con música pegote, bailarinas y parafernalia. Fuimos a su recital de curiosos, queriendo ver cómo era un evento masivo.Llegamos al recital de Jerry, las personas estaban eufóricas, es realmente un ídolo. Estaba absolutamente lleno de locales, nosotros y un amigo turco que conocimos en la ciudad.Bailábamos con todo el mundo, animadísimos, hasta que Jerry decidió hacer un concurso de baile y por supuesto, More, fosforescentemente blanco entre los locales fue apuntado e invitado a subir al escenario con otras personas.
[celo]- "Vahaza! Vahaza!", exclamava a platéia enloluquecida, celebrando o barbudo branquelo que subia ao palco com sua típica camiseta regata com o calendário maya.
[maca]Jerry hizo la primera demostración, mover lo máximo posible poto y cintura era el desafío. More, como buen brasileño, mostró su ritmo defendiendo su sangre entre el espectacular ritmo de los locales. Mientras, un fan club de chiquillas, lideradas por la esposa, gritábamos "¡Marcelo, Marcelo!". Eliminaron a los primeros, los segundos, etc, etc, hasta que quedaron tres finalistas, More incluido.Resultado: segundo lugar y una camiseta roja de la patrocinadora - una companía de celular. Detalle: fue practicamente imposible competir con el tipo que ganó primero, sin desmerecer el ritmo de More. [celo] Além do rebolado que deixa a Carla Perez no chinelo, o cara trapaçeou e ficou mostrando a barriguinha de pugilista. [maca] Pero el segundo lugar y la camiseta no fueron todo... ¡More ganó fama en toda la ciudad! Así comienzó la rutina de los próximos días: "Ehhhh Marcelo!" gritaban las personas en la calle. Todos reconocían a More.
[celo]
... e, no assento ao lado, no ônibus de volta: "Marrcelô!"
... e na parada para almoço - já a centenas de quilômetros de Mananjary - "Marrcelô!"
A perda de privacidade foi tamanha que considerei fazer a barba para não mais ser reconhecido.
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A seguir algumas imagens deste pitoresco episódio.
Jerry Marcosssss faz uma demonstracao para os aspirantes a pop-star. Detalhe: Golpe sujo do futuro campeao mostrando a barriguinha... more nao quis apelar e ficou nitidamente prejudicado pois anda trabalhando muito o abdomen durante o tempo livre.Galera vai ao delirio quando more sobe ao palco!!!
O astro. Precisa falar mais alguma coisa?
domingo, 4 de novembro de 2007
Arvores que Choram
Na avenida principal desta pequena grande cidade malagasi, grandes árvores providenciam merecida sombra para os passantes. E, em cima de quase todos, derramam lágrimas.
Choram sobre a palma da mão estendida dos pedintes, miseráveis, não obstante ingênuos e nada violentos, que grudam no turista francês - eventualmente brasileiro ou chileno, mas muuuuuuuito eventualmente - para pedir qualquer coisa, desde caneta até pão ou dinheiro. Grudam mesmo, repetindo como se fora um mantra seu pedido, para ouvir a mesma repetida sabatina do turista: "Non".
Choram sobre a palma da mão cansada da pedinte-mãe que percebeu na filha a oportunidade de subsistir: instrui apressada o rebento - que nem bem anda ainda - a correr atrás do senhor de bigode que passa com a camisa dentro da calça fumando Galois, arranhando suas 3 palavras de francês: monsieur, argent, sivuplê.
Choram no chapéu de palha do puxador de "pousse-pousse", versão malagasi do indiano rickshaw (táxi-carroça puxado por gente). São velhos trabalhadores tão miseráveis que alugam um carrinho de madeira para rogar por trabalho puxando gente de um lado para outro de uma cidade de 5 km de envergadura por quantias próximas a um US dólar, utilizando como combustível apenas seus caleijados pés descalços no asfalto quente ou no piso irregular de terra e pedregulhos.
Choram em cima dos vendedores ambulantes de pentes, óculos escuros, batatas-fritas e outras frituras, cartão de celular pré-pago, mandioca, nêspera, manga, tomate, couve, repolho, grão de bico, canetas, cortador de legumes, doces caseiros, radinho de pilha, pilha, chapéus artesanais de palha, bolsas artesanais de palha, camisetas, passeios turísticos e, claro, maconha.
Choram, também, tanto sobre os dedos de violeiros nostálgicos que entoam o velho folclore regional no fim da tarde, quanto sobre os testemunhos de jeová, que se reúnem semanalmente para louvar deus em dedicada cantoria.
Choram no ombro dos poucos turistas que, como nós, caminham. E, caminhando, experimentam esta realidade sem tempero nem preparo, crua como ela é.
...e os poucos automóveis velhos da cidade passam em velocidade mediana; e os muitos automóveis de luxo com motoristas contratados pelos turistas passam em alta velocidade. Sobre seus rostos, claro, as árvores não choram.
Madagascar, sonrrisas gratis
Llegamos a Madagascar sin esperar nada de nada. Sin expectativas aterrizamos en un lugar del que nunca habíamos oído ninguna cosa.
En Madagascar todo es "mini", desde el aeropuerto, asientos en los buses, ciudades, taxis (preciosas citronetas y renoletas), puertas, escalones, duchas y hasta las personas.
Madagascar está en África, pero es muy diferente del resto del continente negro que ya visitamos. Las personas son una mezcla de negro con polin’esicos (según mi punto de vista), son bajitos, de piel oscura, labios gruesos, ojos almendrados (con un dejo de orientales), algunos tienen el pelo liso, otros no, caminan con un meneo diferente al de todos sus vecinos africanos, pero bailan igual de bien, con el ritmo en la sangre.
Madagascar es un país atrasado, todo es improvisado, en el campo no hay luz, en la noche cuando uno pasa por un pueblo, todo es a vela y cuando hay luz, que es generada con gasolina, la energía se corta constantemente. Las personas cocinan a carbón hasta en los mejores hoteles, los taxis ahorran bencina dejando que los autos vayan al vuelo en las bajadas (¡un terror!), los baños son simples fosas, no hay máquinas para trabajar la tierra (ni siquiera un tractor), sólo zebus (vacunos locales) para hacer la parte más difícil. Practicamente no hay productos industrializados, las mejores golosinas son un plátano o un pedazo de caña de azúcar y no hay supermercados, sólo personas que venden sus productos en la calle.
En Madagascar hay muy poco que no es Madagascar, un puñado de turistas franceses y algo de influencia francesa sólo en parte de la culinaria, el resto, todo impresiona, todo es nuevo, todo capta tu atenci’on.
En Madagascar hay lemures, primates endémicos de la isla que están en extinción... lamentablemente el 85% de la isla está deforestado y eso se ve... y eso los afecta directamente…
En Madagascar los nombres son largos y complicados: Antananarivo, Ravalomanana, Fiaranantsoa, Tsimanampetsotsa, son algunos ejemplos. Algunas personas hablan francés (herencia de la colonia), pero los otros sólo "malagasy", la lengua nativa.
En Madagascar hay "pousse pousse", taxis humanos, verdaderos atletas que corren todo el día para ganarse unos cuantos "aryary" (moneda local) empujando lindos y coloridos carros de madera con un cascabel.
En Madagascar hay fiestas típicas, como la "Samatra", circunsición colectiva que se celebra cada siete años, donde las personas cantan, bailan y celebran la transformación de los niños en hombres (aunque aún sean niños pequeñitos), vestidos con sus trajes típicos.
En Madagascar las personas andan sin zapatos y a muchos les faltan los dientes, pero te sonríen amistosamente ¡y gratis! las sonrrisas más bonitas, las más sinceras, curiosos, en todos lados te saludan con un simpático "Bonjour madame/monsieur" y cuando uno les devuelve el saludo se ríen más aún esperando a cambio otra sonrrisa gratis y se emocionan y no paran de mirarte.
Maca
La Grande Île - O Igual e o Diferente em Madagascar
Turismo
Madagascar é uma ilha distante do continente africano, em que nem todos falam francês e pouquíssimos arriscam o inglês; em que a infra-estrutura precária faz do transporte convencional uma aventura e da água quente um luxo de poucos hotéis; em que vôos diários conectam apenas com Paris, além de vôos esporádicos para Quênia (semanal), África do Sul e, evidentemente, as fundamentais Ilhas Maurício; em que o surfe e o mergulho, que poderiam ser atrativos, são dificultados pela extensa e perigosa presença de tubarões na costa; em que o ecoturismo e turismo sustentável são expressoes francesas sem equivalente em malagachi.
Política
Um passado de governos primeiramente autocráticos e em seguida com ideais comunistas não muito bem-sucedidos, ligados aos estados socialistas, criou barreiras às tentações do capital ocidental, consequentemente, ajudando indiretamente a preservar o povo da indústria cultural fast-food.
Indústria
Um país predominantemente agrário, com forte cultura comunitária no meio rural, mais ainda insular, faz com que os produtos que a pequena indústria nacional não contempla - como o macarrão francês importado, mais caro que a carne nacional no restaurante e as poucas bolachas em pacote - sejam difíceis de encontrar e caros, dificulta o turista menos afeito a uma aventura gastronômica pelas frituras de milho e trigo, peixes secos, miúdos de galinha e zebu cozido com ervas nunca antes vistas. Maca e eu levamos mais de 10 dias para encontrar um pacote de bolacha salgada fora das grandes cidades - i.e. com mais de 10 mil habitantes - para agradar a dor de barriga que a acompanhou durante os 15 dias de promenade pela Grande Île. Mas o delicioso iogurte de coco do milionário presidente Ravalomanana, por apenas USD 0,30, só é superado pelo equivalente - e mais artesanal ainda - angolano. A Nana sabe do que estou falando.
Economia
Aqui é o único lugar que já vi, no mundo, que fez plano econômico para valorizar a moeda e, em vez de cortar um, dois ou três zeros, dividiu a moeda por 5 - e olhe que sou brasileiro com mais de 30, já passei por um bocado destes planos econômicos mirabolantes contra a inflação. Oras, se já é difícil entender o câmbio e pensar monetariamente em viagem, imagine ter que pensar em duas moedas porque o povo ainda não se habituou. Se eu viesse viver aqui, sem dúvida começaria a vida tentando uma distribuidora de calculadoras baratas a energia solar... A economia agrária e comunitária, embora ajude a maioria a ter comida na mesa, e comida de qualidade, não coloca o país no ranking dos grandes PIBs mundiais. Para o turista convencional - que gosta de conforto, produtos e franquias iguais às de seu país de origem, é um dificultador. Para nós, que buscamos o deslocamento cultural, significa um deleite.
Cultura
Claro que não poderia deixar de mencionar a cultura e o temperamento "malagache". Além da comida já mencionada, o jeito leve, ingênuo, honesto de ser sobrevive, em particular fora de Tana (Antananarivo para os íntimos, capital) e dos demais centros urbanos. Os "tabus", ou fady, são presentes: em um lugar não se come carne de porco - influência muçulmana na costa leste -, em outro tem que tirar o sapato para pisar na praia - cheia de parasitas que habitam os frequentes cocôs e xixis humanos ou de animais. Pessoas têm medo de fotografia e subsistem certos hábitos pouco higiênicos mas ricos em seu folclore que permeiam a agricultura e a cozinha do malagasi. Neste contexto, o vahaza, ou "branco", por aqui, é bicho raro. Passamos por situações pitorescas em que a vila inteira olhava para a gente de forma constrangedora e crianças ficavam com medo se a gente se dirigia a elas. As pessoas ficam curiosas com a gente da mesma forma que ficamos com elas, senão mais. Não obstante, há poucos indícios, fora dos centros urbanos, de qualquer tipo de tentativa de "tirar vantagem", extorquir dinheiro ou furtar ou roubar o turista. Quando nos ocorreu, ou ficou muito evidente - preço do transporte ou do livro de contos na rua - ou fomos protegidos pelo próprio malagasi - preço do transporte novamente e pedágio para cruzar a ponte (!).
Televisão
Talvez todos os outros itens acima sejam ofuscados por este: diferentemente de tantos outros países com contornos econômicos aparentemente semelhantes, o malagasi não tem, ainda, o hábito da televisão. Talvez pela economia comunitária em que muitos apenas subsistem sem muito capital - 5 centavos de dólar aqui é dinheiro, 15 centavos é um bom cacho de bananas na vila e 30 significa uma jaca - bens industriais só desfilam no campo graças a doação do estrangeiro - tipo boné do extinto Los Angeles Raiders. Talvez tudo isso se deva também ao alto custo e baixa disponibilidade de eletricidade: a luz da ilha, quando existe ou funciona, é à base de geradores movidos a combustível. A consequência é uma iluminação sempre precária, quando ela existe, e a escassez de outras "benesses" da eletricidade como a telenovela da Globo - em Antananarivo passa na TV a cabo, bem como, descobrimos, na Albânia, onde o californiano Bret aprendeu albanês assistindo "O Clone"(!!!).
Mas, como diz o título desta crônica, há sempre coincidências que ligam o malagasi ao africano, ao polinésio, ao árabe, ao francês que fomam o povo que habita e visita a ilha. O jeito mora mora de ser (equivalente ao pole pole do swahili: "devagar, devagarinho"): sempre preocupado com o dia presente, sem grande consideração pelo amanhã, com verdadeiro desprezo pelo futuro distante, parece ser uma máxima na África em que estivemos. Não julgo ser bom ou mal, mas que isso traz dificuldades para o viajante como nós, isso é um fato. Exemplo: como na maioria da África setentrional que visitamos, não há horários fixos para o transporte "público". Enquanto esperávamos pacientemente o ônibus (uma velha van Hyundai com bagageiro no teto e bancos do tamanho malagasi) encher para poder sair, percebo que o outro ônibus, de mesma cor - supus, acertadamente, que da mesma cooperativa - iria para o mesmo destino e estava mais ou menos vazio, apenas algumas pessoas. Pergunto quantas pessoas faltam para zarparmos e o sujeito levanta apenas o indicador esquerdo. Sugiro então que ele complete o nosso com um dos passageiros da outra Hyundai vermelha para que possamos prosseguir nossa viagem, enfim, completos. Ele olha com uma cara de espanto, resmunga algo incompreensível e percebo que é melhor deixá-lo só com seus botões. Em seguida ele fala com dois ou três - eles não fazem nada nem tomam decisões sozinhos - e a tática funciona: saímos após alguns minutos para a última viagem de 5 horas nas terras de Madagascar.
Também a influência polinésia e do o sudeste asiático, com suas feições características, aqui se sobressaem no rosto crioulo do malagasi misturado com o negro e outros mais. No entanto, tal como em lugares como Malásia e Tailândia, aqui também nos entristece a infame prostituição (muitas vezes infantil) escancarada nos cabarés das cidades ou nos botecos das vilas. Nada institucionalizado: simplesmente as meninas se aproximam dos turistas e no final da noite pedem uma gorjeta, um agrado. Deprimente, mas muito francês e italiano que aqui vem busca esta "experiência cultural" grotesca.
Mas sem dúvida a coincidência mais legal - e que hoje em dia estou convencido que deve ressoar em todos os cantos do mundo - é crescente indústria informal de camisetas da seleção brasileira: estão por toda parte! Ver um jovem malagasi com a 9 do Ronaldo na festa folclórica Sambatra no sul de Madagascar só não foi mais surpreendente que o guia da pequena cidade de Moshi, na Tanzânia, fã de Zico, que sabia a escalação do Brasil de 82 de cor e salteado.
Se a FIFA recebesse USD 1,00 por cada uma destas amarelinhas, a gente trazia o Robinho de volta pra dar espetáculo na Vila Belmiro. Mesmo que fosse contra o Corinthians.
Abuelita Georgina
Abuelita Georgina
El 18 de octubre, a los 93 años, mi abuel"ita" (no le gustaba que le dijeran abuela, tenía que ser "abuelita") se fue a descansar...
La abuelita era, y sigue siendo dentro de cada una de las personas que conoció, una mujer con una bondad infinita, linda, tierna, cariñosa al máximo. Cuando uno la iba a ver a su casa, mágicamente, te hacía sentir la persona más importante del mundo, era un placer, te recibía con su sonrrisa preciosa (de dientes "originales", "¡toditos!", ¡con sus 93 se sentía tan orgullosa de eso!).
"- ¡Mijita!" "¡mijito!", así éramos tratados todos, incluso los cincuentones y sesentones. Te recibía tan feliz, y como ya dije, uno era todo en ese momento y junto con sus "secuaces" (la nana María, su mayor cómplice), se encargaba de llenarte la guata y te acompañaba en la comilona, golosa, con apetito, ¡daba gusto!
La Abuelita era tranquila, sumisa (aunque a veces escapaba uno que otro comentario agudo que sorprendía), elegante y fina siempre (sin pretender serlo), divertida (le encantaba contar chistes, sus predilectos: "Don Otto" ¡Abuelitaaaa!!!). Era discreta, risueña, tenía una memoria de elefante (contaba historias de su infancia y juventud como si fueran ayer), absolutamente incondicional, observadora, suave, nostálgica, curiosa, inteligente y generosa.
Llevaba su vejez con humor:
- "Abuelita ¿Cómo estás?"
- " Bien mijita ¡¡Bien vieja!!!!! jejejejeje!!!" Parecía siempre tan tranquila. Aunque también siempre estaba preocupada, por cada persona, le encendía velas a la virgen y rezaba por cada uno para que todo resultara bien.
La abuelita también era artista, sensible como nadie en todos los sentidos, tocaba el piano como los dioses, y no exagero ni un poco, era impresionante, talentosa, todo de oído, había sólo que pedirle y tocaba y tocaba.
Esposa del querido tata Manuel, quien también ya se fue..., juntos se transformaron en 5 hijos, 18 nietos y 14 bisnietos y ahí están los dos, vivísimos en nosotros.
Somos afortunados, no cualquier persona tiene tantos años de abuelita Georgina, ahora ella está tranquila, con el tata y como dijo mi amigo brasileño Klauss al que le robo sus palabras "há algo que tenho claro em mente: um belo sorriso florido no rosto da vuela Georgina, acompanhado de algumas claves de sol dançando em volta dela... esse deve ser seu paraiso e seu descanso..."