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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

E o Direito Autoral do Elefante?

Pois é. Em tempos de copyright versus copyleft, todo mundo esqueceu do elefante. Explico.

Após analisar batatinhas fritas e coxinhas e com isso tirar conclusões sérias sobre a indústria de um país, é hora de levar a viagem a sério e analisar um índice verdadeiramente representativo de um povo: a cerveja.

Cerveja é um treco muito popular na maioria dos países. Tirando os muçulmanos, hindus e outros que não aceitam o álcool nem socialmente - nem sociopaticamente como é o caso do ocidente - a cerveja é aquele coringa: é álcool, mas quase não é... Uma cervejinha no almoço não pega mal como um scotch ou um rabo de galo.

Um produto vulgar como a cerveja, com tamanho alcance, merece nomes relativamente simples, que nem título de música do Zezé de Camargo. Tem que ser algo cativante, que caia facilmente na boca do povo, que cative o imaginário da gente do lugar e dos eventuais visitantes.

Esta reflexão veio impulsionada pela profunda investigação científica autônoma que venho promovendo com esta viagem. Pelos bares do caminho, degustei cervejas cujos nomes são extremamente representativos do imaginário popular: na Zâmbia, a Mosi remete ao maior símbolo do país (curto para o nome original da 'Victoria Falls', 'Mosi na Tunya', ou Smoke that thunders, bem melhor que o inglês paga-pau de rainha); no Nepal, evidente que o imponente Everest está bem representado; na Tanzânia tanto a Savana, quanto a Serenghetti (parque nacional) e o inesquecível Kilimanjaro têm sua contrapartida igualmente inesquecível de cevada; no Quênia a amarga Tusker exibe o desenho de um elefante evidenciando o dente de marfim a que o nome faz menção; por fim, até na Índia o Martim Pescador (Kingfisher) está nas mesas dos ocidentais que pagam o preço de duas refeições por uma garrafa do danado líquido.

Aqui cabe um parênteses. O Brasil, neste sentido, tem muito o que aprender... como se não bastasse os impronunciáveis nomes alemães - Kaiser, Skol - ou o estranhíssimo Brahma (parece sânscrito, literalmente), os novos conseguem piorar: como assim, Schincariol?? Pera lá... o único que salva nesta lambada é a carioquíssima Devassa. Quer algo mais nacional e popular?

De uma forma ou de outra, todos os rótulos tem um desenho ou foto de um lugar famoso, um animal símbolo, qualquer coisa bem 'denominador comum' para todo o espectro de consumidores que buscam a loira gelada. Todos se apóiam e se aproveitam de imagens e imaginário associado a tais ícones para comercializar seu produto e deixar o mundo um pouco mais bêbado - recurso de marketing que não é privilégio da cerveja: produtos de beleza Himalaia, Guarani Futebol Clube, Colégio São Luiz etc, mas como este é um artigo sério, vamos nos ater ao que interessa.

Por isso o título: e o elefante? O que é que leva da Tusker?

A minha proposta manifesta aqui é de se expandir a idéia de direitos autorais para os patrimônios naturais e artificiais da humanidade - pode ser montanha, bicho, cachoeira, cidade. Imagine se, para cada latinha de Tusker aberta no Quênia, dez centavos de dólar fossem para entidades de preservação dos elefantes do Quênia, ou se para cada garrafa de 1 litro de Kilimanjaro gelada fosse direcionada uma mínima parcela para o parque nacional homônimo - em vez de cobrar a vergonhosa soma de USD 110,00 por dia* do turista estrangeiro; ou ainda que o dízimo da Everest ajudasse as comunidades simplérrimas de Sherpas que (sobre)vivem na região que circunda o topo do mundo.

Em vez disso os advogados de plantão continuam preocupados com o tráfeco de mp3 (cabei de inventar: 'tráfego' + 'tráfico') ou com gravação caseira da Cicarelli namorando no youtube.

O reflexo no Brasil seria indubitavelmente benéfico. Já consigo imaginar a institucionalização da devassisse com a criação de uma Associação para gerenciar os recursos que a boemia carioca iria gerar pra classe. O próximo passo seria exportar a Devassa - mesmo porque a devassisse brasileira já anda por aí há tempos...


* O parque conta com uma infra-estrutura ridícula, com um par de jipes velhos que nem entram direito no parque porque não tem estrada e abrigos que não abrigam nem os funcionários. Aparentemente o serviço de resgate justifica algo destes turisdólares - felizmente não o testamos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Vendo Cueca

Decidimos tomar o trem do sistema TAZARA (Tanzânia Zâmbia Railway Authority), construído pelos chineses após a África do Sul fechar o mar para a Zâmbia durante o processo de independência e formação nacional, saindo da Zâmbia rumo a Dar Es Salaam - a capital que não é capital da Tanzânia. O Tazara Express - modelo que pegamos - demora a espetacular marca de 40 horas, quando não quebra, o que é muita sorte, para percorrer um trecho de algo como 1.600 km. O busão leva 24hs, mas não tem a mesma graça: Não tem bar, não tem DVD player que você coloca o que quiser e assiste numa poltrona velha no meio do bar, não tem frango frito com nshima, não tem zambianos enchendo a lata, não tem girafa, antílope, Gnu, Javali e outros bichos na janela, não tem criançada correndo a todo pulmão só pra dar tchauzinho de perto - e tomando susto com os branquelos na janela -, não tem cama verde com cobertor meio mofado, não tem malandro tentando roubar o bilhete pra falsificar, não tem os inesquecíveis cheirinhos do banheiro e da suvacada dos muchachos e muchachas 40hs sem ver ducha.

Como a prioridade nacional era o cobre do copper-belt e não o turista sul-americano, tivemos que subir num incômodo ônibus de 4 horas para a cidade de Kapiri-Mposhi. Ao (des)acomodar-nos no estreito assento que não reclina nem a pau do Marcopolo de 5 lugares (ou seja, 60 assentos em vez de 44, agrupados em dois e três por linha, sem banheiro), percebemos algo que já não era para espanto a esta altura da viagem: o coletivo só sairia após preenchidos todos os assentos. Deixamos o preciosismo de lado e pensamos, hmmm, temos 3 horas de margem de folga e o trem deve atrasar mesmo, oras bolas; e começamos a procurar leitura.

Como sempre, o povo vence a leitura - que insiste em não avançar - e o movimento dentro do ônibus cativou nossa atenção. Achamos peculiar que uma ambulante subisse ao corredor para vender calcinhas para os passageiros. Em seguida outro fulano entrou vendendo as óbvias revistas e jornais, e na saída trombou com outro vendendo os também óbvios chocolates e balas. Nos próximos minutos subiram vendedores de eletrônicos e acessórios, parecia um típico camelô da Teodoro: relógios, capas e carregadores de celular, fones de ouvido e rádio para ouvir com o fone. Logo deram lugar para a turma da vestimenta, que desfilou panos coloridos, cintos, sandálias de couro e do tipo havaianas - evidentemente não legítimas -, bonés e até as peculiares gravatas e cuecas, que não podiam faltar depois das calcinhas. Nos sentíamos em uma loja de departamentos, a diferença é que a loja se movia, caoticamente, em um corredor único, enquanto ficávamos parados. Em um país com 72 idiomas, nosso esporte predileto era "No, thank you."

A esta altura, já era segundo tempo de partida - nossa margem de segurança para um trem que parte duas vezes por semana ia diminuindo - e a fome e a sede apertavam. Claro que os vendedores de maçã, biscoito, água, sucos e refrigerantes sabiam disto. E, para a sobremesa, aparece rapidamente a moça com bolo e chiclete.

Parece que para mostrar o contraste do velho com o novo na tecnologia, menino passa com DVDs e fitas-cassete pra vender - este eu nem sabia que ainda existia! De olho no relógio, mas sem ninguém para avisar do atraso, vimos quatro ou cinco sujeitos empurrando cartões de celular pré-pago pra turma, quando o ônibus já parecia lotado.

Finalmente, quando tudo indicava que o transporte iria nos transportar para algum lugar, motores em ação, já nos acréscimos da paciência, um último vendedor sobe para, convenientemente inspirado nas estatísticas das estradas africanas, vender bíblias aos fiéis que não confiavam muito na santíssima trindade - no caso: 1) o ônibus mal-cuidado; 2) motorista desconfiável; e 3) estrada esburacada.

Amém... ou Ommmmmm?

10 Commandments for Crazy Kudus and Wild Dogs on the road to Vic Falls

1) You shall feed the Wild Dogs, but shall not feed the wild dogs

2) You shall taste wildlife (game), but not the Crazy Kudus

3) You shall listen to wildlife (game), but not only to Nicole's artificial or Mike's natural Hippo callers

4) You shall see wildlife (game), but not only Kangaroo-Monkey-Tiger-Squirrels on steroids

5) You shall drink fresh squeezed elephant poops, as long as you share with your colleagues

6) You shall touch crocodiles, but must first kiss your hand goodbye

7) You shall have serious conversations with your safari colleagues for as long as there is no beer or wine on the table

8) You shall smell all sorts of wildlife scents outside the car window, but not inside - particularlly after dining beans salad

9) You shall take as many showers as you want as long as you are not actually "clean"

10) Victoria shall Falls, as long as not on top of us

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Namibia la revancha, Botswana y Zambia







































Cuando pensábamos que llegaba el fin de Namibia para partir a Botswana, averiguamos que la ruta que queríamos hacer era imposible, por la falta de transporte (no hay gente sufiente en estos países para llenar un bus)..., enloquecimos testarudamente intentando llegar a una solución. Tres buses eran necesarios para hacer un recorrido de diez horas con el riesgo de tener que esperar 12 horas bajo el sol del Kalahari en un cruce desolado si perdíamos la conexión, lo que es probable en África, entonces, optamos por un camping-tur lleno de gringos que resultó divertidísimo y con muchas aventuras.
Salimos el 9 de septiembre de Windhoek en nuestra van, los integrantes del equipo: nuestros divertidos y eficientes guías Tiaan y Jako de Namibia, una pareja de ingleses muy parecidos con nosotros Sara y Mike, dos señoras inglesas cariñosísimas Jean y Linda, una estadounidense muy piola Nicole y una alemana tiernísima, Johana, que en el medio de todas las patas sucias, no sé cómo, estaba siempre impecable.
Durante ocho días recorrimos distancias enormes y pasamos por paisajes increíbles durmiendo en nuestras carpas en excelentes campings en el medio de la naturaleza.
El itinerario empezó en el Delta de Okawango al norte de Botswana. El río nace en Angola siguiendo por el norte de Namibia en el Caprivi Strip y entra en Botswana donde el agua se esparce y finalmente, después de kilómetros, desaparece en el desierto de Kalahari. Estuvimos dos días en el delta e hicimos un paseo en "mokoro", una canoa finísima (para dos personas y el "capitán") perfecta para recorrer los recobecos del delta y ver la naturaleza. Estas canoas al menor movimiento se mueven un montón, parece que uno de fuera a caer (da miedo porque hay cocodrilos), pero no pasa nada, los capitanes son unos artistas del equilibrio de pie en las canoas.
De Botswana volvimos a Namibia en el norte en el Caprivi Strip, vimos varios hipopótamos, cocodrilos, elefantes y varios antilopes y monos.
Seguimos en Namibia y visitamos una aldea típica, que aunque fuera para los turistas, fue una experiencia interesantísima. Las personas cantaron y bailaron y nos mostraron cómo viven.
Volvimos a Botswana, en el norte, pero esta vez al este y fuimos al parque nacional Chobe, recorrimos los ríos en barco viendo un montón de animales y una puesta de sol increíble, como todas las puestas de sol y amaneceres hasta ahora en África.
Terminamos nuestro safari en Zambia, Livingstone, al sur del país para conocer las "Victoria falls", lamentablemente estaban un poco vacías, pero igual pudimos disfrutar de lo bonito del lugar.
Fue un viaje memorable, la compañía estuvo de lujo, todos muy simpáticos y conversadores. También celebramos el cumpleaños del More (el 14 de septiembre para quien quiere saludarlo todavia), en una de nuestras fogatas nocturnas después de la comida, todos nuestros nuevos amigos extranjeros le cantaron, con el mayor de los esfuerzos y con torpedo en mano el cumpleabos en portugués, fue genial!!!!!!
En este momento estamos en Lusaka, la capital de Zambia, esperando nuestro tren que sale el viernes en dirección a Dar es Salaam en Tanzania. Estamos fascinados con la simpatía de las personas por aqu'i, pero a la espera, porque en Lusaka no hay mucho que hacer, así es que estamos descansando y cargando energías para seguir.
Las próximas aventuras serán contadas desde Tanzania, después de un largo viaje en tren y de estar instalados después de Dar es Salaam en una isla de influencia árabe que se llama Zanzíbar.

Besos zambianos para todos!!!!! y para los chilenos un feliz dieciocho!!!!! (festas da independencia no Chile)

Maca

PS: For all the "wild dogs", it was totally a pleasure to share those wonderfull 8 days with you all. We hope that you had a safe journey back.
We are pretty sure that we will find the "tiger" in Madagascar...!!!!!
Marcelo is absolutely positive about Namibia's winning the rugby world cup!!!!
AND
Yesterday night Marcelo won 5 extra points because he set up the mosquito net alone! But just after that he lost 10 points because he didn't let me win my first chess match against him...

A big hug for everyone and we hope that you all improve your Spanish and Portuguese reading this blog (the happy birthday was a good start!!).